O paradoxo da marca que se desidrata para crescer
O lançamento de uma versão sem açúcar e sem cafeína expõe a busca por espaço em novas rotinas de consumo.

Até que ponto uma marca pode alterar a fórmula de seu produto principal sem perder o que a tornou gigante? Segundo matéria do Valor Econômico, a Coca-Cola lança em setembro no Brasil a versão Zero Açúcar Zero Cafeína, mirando a tendência de bem-estar e o controle de peso. A decisão chama a atenção por retirar da lata dois dos componentes mais associados ao seu consumo histórico.
⚖️ O equilíbrio entre conveniência e identidade
Essa mudança reflete uma leitura pragmática de mercado. Empresas consolidadas entenderam que a retenção de clientes depende de eliminar fricções, permitindo o consumo do produto em horários antes proibitivos, como o período noturno. A dúvida que permanece em aberto é se o consumidor busca uma bebida verdadeiramente saudável ou apenas uma licença psicológica para manter um hábito sem a culpa dos estímulos habituais.
Ajustar a oferta para remover restrições de uso é a forma mais direta de proteger o volume de vendas.
O movimento dialoga com o que acontece em outros setores tradicionais. Da tecnologia às finanças, marcas consolidadas enxugam processos, retiram complexidades e adaptam formatos para continuar relevantes na rotina diária dos clientes. Resta a provocação para quem lidera negócios em transformação: o seu produto está pronto para mudar a própria essência a fim de continuar na mesa do consumidor?
Fonte: Coca-Cola sem cafeína chega ao Brasil com apelo de bem-estar — Valor Econômico (2026-08-27)
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ROGERIO CUNHA
Autor deste artigo
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