Quando a honestidade da marca vende mais que o marketing tradicional
A mudança de 'buttercream' para 'encardida' na Havaianas mostra a força de adotar o vocabulário do cliente.

Por que equipes de produto e marketing ainda gastam meses criando nomes sofisticados em inglês quando o consumidor já batizou o item com a própria realidade? A Havaianas deu uma resposta prática a esse dilema ao alterar oficialmente o nome da cor de uma de suas linhas: de 'buttercream' para 'encardida'. A mudança acatou o apelido que viralizou nas redes sociais e o resultado comercial veio sem demora. De acordo com a liderança da Alpargatas, a receita da linha rebatizada cresceu 89% na comparação com o período sob a nomenclatura original.
A coragem de trocar a vaidade do posicionamento tradicional pela linguagem espontânea do cliente gera resultados imediatos na receita.
💡 O valor financeiro da autoironia
O episódio escancara uma desconexão frequente no mercado. Empurradas pelo apego a Manuais de Marca rígidos, muitas empresas preferem tentar corrigir o público a se adaptar a ele. Ao incorporar a brincadeira ao catálogo, a marca demonstrou maturidade, reduziu o atrito na comunicação e transformou um comentário potencialmente negativo em motor de vendas.
Esse fenômeno se repete em diversos setores. Organizações que operam com escuta ativa digital e agilidade de reação capturam oportunidades que relatórios tradicionais demoram meses para mapear. O cliente prefere a clareza e a simplicidade. A sofisticação forçada, muitas vezes, atende apenas às expectativas das salas de reunião.
Resta a provocação para as lideranças: quantas oportunidades de crescimento a sua empresa perde por se recusar a falar a mesma língua que o mercado já usa?
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ROGERIO CUNHA
Autor deste artigo
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