A ascensão do software B2B para gestoras e o novo momento das fintechs
O avanço de soluções focadas em asset e wealth management mostra a migração de valor para a infraestrutura corporativa do mercado financeiro.

A expansão recente da Maravi, fintech fundada em 2023 no Rio de Janeiro que registrou crescimento de 311% e faturamento de R$ 11,8 milhões, evidencia uma transformação no setor financeiro. Conforme publicado pela revista Exame, a empresa encontrou tração ao focar no desenvolvimento de sistemas especializados para gestoras de fundos e de patrimônio. O movimento sinaliza que a corrida por inovação financeira no Brasil deixou de ser um privilégio de contas digitais B2C para se concentrar na infraestrutura de software corporativo.
🚀 O declínio das soluções genéricas e a ascensão do B2B especializado
Durante anos, o ecossistema de tecnologia financeira canalizou capitais e atenção para aplicativos de varejo, cartões sem anuidade e bancos digitais. Esse modelo, contudo, passou a enfrentar o desgaste natural do aumento do custo de aquisição de clientes e de margens de lucro cada vez mais comprimidas. Em contrapartida, o mercado corporativo tradicional percebeu a urgência de substituir arquiteturas antigas por softwares capazes de resolver gargalos operacionais específicos.
Gestoras de investimento e escritórios de wealth management lidam diariamente com volumes massivos de dados, regras regulatórias rigorosas e exigências crescentes por relatórios em tempo real. Ferramentas genéricas de gestão ou planilhas manuais descentralizadas já não suportam esse ritmo de operação sem expor a empresa a erros graves. A busca por plataformas nativas para essa rotina criou um ambiente propício para negócios de tecnologia com propostas de valor bem delimitadas.
📈 O gargalo operacional nas gestoras de patrimônio
A rotina da gestão de recursos exige disciplina em tarefas como conciliação de carteiras, controle de custódia, apuração de risco e reporte para cotistas. Quando esses processos dependem de integrações frágeis ou de sistemas legados que exigem retrabalho manual, o risco operacional dispara. A alocação de equipes altamente qualificadas para executar tarefas mecânicas compromete a capacidade analítica e o atendimento ao cliente.
Além disso, as exigências de órgãos reguladores demandam transparência e auditabilidade contínuas. Softwares desenvolvidos sob medida para esse segmento atacam diretamente a ineficiência do fluxo diário. A automação desses processos reduz custos e eleva a precisão das informações entregues aos investidores. Em um setor no qual a confiança determina a permanência dos ativos sob gestão, falhas operacionais cobram um preço elevado.
Vender software para o mercado financeiro exige mais do que apresentações atraentes; exige provar redução de risco e ganho real de escala na operação.
⚖️ O modelo de vendas B2B e a retenção em mercados de nicho
A trajetória de crescimento acelerado em segmentos especializados demonstra a eficiência de um modelo comercial estruturado para vendas corporativas. Em vez de buscar milhões de usuários individuais com margens baixas, a estratégia se concentra em atender centenas de clientes institucionais dispostos a pagar por soluções que resolvam dores críticas. O ciclo de vendas nesse ambiente costuma ser mais longo e exige profunda validação técnica, mas entrega em troca um contrato estável.
Quando uma gestora integra uma plataforma ao coração da sua operação diária, o software se torna parte da rotina do negócio. Essa dependência operacional saudável garante previsibilidade de receita recorrente e permite investimento contínuo no aprimoramento do produto. A tração nesse mercado confirma que entender profundamente o problema do cliente é mais vantajoso do que tentar construir soluções genéricas para todo o setor.
O avanço de plataformas dedicadas a gestoras e administradoras de recursos marca a consolidação de uma fase madura do software financeiro no país. Organizações de tecnologia que dominam a regulamentação, o ritmo e as necessidades operacionais de mercados específicos criam vantagens competitivas sólidas. O mercado corporativo continuará premiando quem entrega eficiência comprovada e execução sem falhas.
Fonte: Aos 36 anos, ela criou uma fintech que cresceu 311% e faturou R$ 11,8 milhões — Exame (2026-08-30)
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ROGERIO CUNHA
Autor deste artigo
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